Virtualidade

A comunicação moderna chegou à um ponto que não sei dizer ao certo se é favorável ou não. Até porque se eu tivesse essa resposta, estaria sendo pessoal quanto ao assunto e essa não é a intenção. Mas a verdade é que as coisas mudaram e continuam mudando. Há alguns anos atrás não existiam fotologs, orkuts e as poucas coisas que permitiam a você conhecer alguém que nunca viu, ou só encontrou andando por aí numa balada ou na casa de um amigo, eram os bate-papos ou os programas de troca de mensagens. Aí então chegou a era moderninha, na qual você pode saber quase tudo da pessoa, sem nunca ter trocado nenhuma palavra com ela. Você passa a ter amizades de outra cidade, estado e até de outros países, simplesmente pelo fato de você já saber de antemão que ela gosta das mesmas coisas que você, ou porque ela curte uns filmes legais, ou mesmo pelo único fato de que me pareceu bem simpático pelas fotos e o jeito que trata as outras pessoas. E tudo isso acontece através de uma tela de computador.

Eu posso afirmar que em muitos aspectos, as pessoas passaram a ser mais acomodadas, e muitas vezes deixarem de lado aquela coisa gostosa de conhecer as outras cara a cara. Cada um faz sua vitrine, e espera que alguém compre aquela imagem. Não necessariamente que essa imagem seja falsa, mas ainda assim é uma exposição clara, mas nem sempre objetiva, do que você é. Ou pelo menos o que deseja mostrar que seja. É um ponto bastante positivo quando as circunstâncias não permitem que você conheça isso de outra maneira, ou apenas que isso ajude a você saber um pouco mais e decidir se gosta ou não. Tudo que você precisa fazer é conhecer alguém numa festa, trocar o MSN e então passarem a conversar diariamente e aprender aos poucos como é a personalidade de cada um. Se as coisas fluirem, vocês se encontram outras vezes, trocam meia dúzia de palavras, dançam juntos, tomam uma cerveja e apresentam os amigos. Dependendo do caso, rola uma pegação, duas, ou até combinam um programa a sós. No caso das coisas irem pra outra direção, sem problemas. Pula-se a parte da pegação e extende-se a parte da amizade. Pronto. Agora você tem um amigo real que conhece apenas no virtual.

Quando duas pessoas se conhecem (ou melhor, ficam, em algum lugar), seria mais fácil que elas realmente trocassem os contatos, e pressupondo que haja interesse de ambas as partes, elas combinam um encontro, sem compromisso. Vão ao cinema, fazem um lanche, ou que parem num barzinho pra tomar um chopp e trocar uma idéia. De certo modo, toda essa tecnologia e esse avanço na comunicação atual facilita muitas coisas, e às vezes ajudam nas partes mais complicadas. Mas trocar todo o aspecto real pelo imaginário, tem um certo perigo de se enganar com aparências. O ideal seria uma boa dosagem entre um e outro.

Uma coisa que eu costumo dizer, é que beijar na boca é uma coisa ridiculamente fácil, e hoje em dia, transar também. O difícil ao menos no meu ponto de vista, é conseguir curtir uma pessoa de uma maneira mais íntima, sem necessariamente cair no compromisso. Como eu dizia anteriormente, se você sai de casa, você consegue ficar com alguém e dar uns amassos, e eu até diria com qualquer pessoa. Isso depende de várias coisas, mas não necessariamente de todas juntas. Você pode ser bonito ou feio, ter um bom papo ou ser um idiota, ser tímido ou um completo cara de pau, ter um carro do ano e uma carteira cheia, ou ter a conta bancária no vermelho. Não importa, se você se esforça (e às vezes nem isso) você consegue o que quer, ao menos naquela noite. Para alguns isso te torna “o cara”. Para outros é legal, mas não satisfaz-se sempre com toda essa superficialidade. Pra mim isso não é o bastante, e acredito que muitos pensam do mesmo modo. Sou à favor de um bom papo, umas brincadeiras, algumas risadas, contato físico, etc. Sair com alguém, uma, duas ou três vezes. Conhecer como ela é, e vivenciar um dos momentos que eu mais considero reais, que é trocar experiências, por mais banais que sejam, e notar o comportamento das pessoas. Coisa que virtualmente é impossível, e eu considero essencial. Afinal, conhecer os outros também ajuda você a se conhecer. E depois disso tudo, que virem amigos, ou mesmo que passem apenas a se ver uma vez ou outra. Encontros aleatórios ou combinados, sem se prender a nada. Rolando algo ou não. Que seja. A liberdade do ser humano, enquanto ele é livre por essência, permite qualquer coisa, desde que dois lados tenham a mesma intenção. Mas que seja real, e não ilusório – ou virtual, como preferir.

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